segunda-feira, 4 de abril de 2011

Os Instrumentos do Samba

Posted by admin On dezembro - 28 - 2009

O Pandeiro

Pensando aqui antes de começar a escrever essa matéria me alertaram de que um pandeiro sozinho pode dar conta de um sambinha. E dá mesmo é um instrumento super versátil que passeia por vários ritmos musicais, vários países e continentes e suas tradições e como já falei no texto onda falo do cavaquinho, temos a impressão de que o pandeiro é um instrumento genuinamente brasileiro, mas não é. Esse instrumento que é composto por pele presa em uma armação estreitinha.
Na maioria das vezes tem a forma redonda, diferente do Adufe que tem a forma quadrangular,  em alguns modelos e no Brasil na sua grande maioria recebe platinelas de metal encaixadas  na armação de madeira e ele pode ser tocado xaqualhando ou atacado com a palma das mãos ou as pontas dos dedos.
Os pandeiros mais encontrados por aqui variam seu diâmetro de 8 a 12 polegadas e por ser encontrado em variados ritmos pelo Brasil a fora o pandeiro é considerado um instrumento nacional dos Brasileiros.
Composição:
Cilindro de Madeira curtinho que é fresada para o encaixe das platinelas é enfeitado por marchetaria quando é um instrumento Luthier, em um modelo intermediário ganha um enfeitezinho e nos modelos populares e simples são usadas madeiras de menos qualidade na maioria madeiras do Brasil leves e resistentes. O cilindro ou fuste tem as seguintes medidas variando do modelo:12, 11, 10,5, 10, 8 polegadas
Aro: Em aço inoxl escovado.
Pele: A pele mais utilizada costuma ser a de cabra. Mas também encontrados em acrílico e fórmica e também transparentes, leitosos ou holográficos.
Esticador: Peças latão ou de aço, cromadas ou niqueladas: puxador, anel, porca, mesa, parafuso de fixação da mesa e arruela.
Platinelas: Placas abauladas de metal, de diversos diâmetros, cromadas ou niqueladas, em latão ou bronze fosforoso.
Abafador: Chapa plana fina de latão, colocada entre as platinelas.
Desde o período  neolítico o instrumento é bastante conhecido e popular na Ásia, África e Europa, com suspeitas de já ter sido criado no período paleolítico. Em todos os grandes povos do passado, do Crescente Fértil ao Egito, Grécia e Roma. ele aparece como instrumento vulgar. E até hoje se encontra na maioria das regiões do mundo chegando a alcançar orquestras. Em Portugal é conhecido como pandeiro, pandeireta (os mais pequenos) ou adufe.
No Brasil, quando surgiu o choro, no final do século XIX, o pandeiro veio dar o toque final ao ritmo marcante e brejeiro, inicialmente executado ao piano e instrumentos de corda e de sopro.
Por aqui ele figurou no Choro no fim do ano XIX ritmando o estilo
De início, os pandeiros eram fabricados de forma simples, sem apuro técnico. Hoje, alguns fabricantes se esmeram na sua confecção, utilizando membrana de pele de cabra para se conseguir, no pandeiro, os sons graves do surdo e platinelas de metais nobres para se alcançar um som brilhante e preciso.
E no começo eram construído sem muito refino mas hoje profissionais Luthiers utilizam couro de cabras e platinelas de ligas mais nobres para buscar timbres maias refinados e brilhantes
No Carnaval brasileiro o instrumento é muito utilizado. O pandeirista muitas vezes toca o instrumento enquanto uma sambista dança na sua frente. Também são vistas acrobacias giratórias com o pandeiro.
Na capoeira e no carnaval brasileiro o pandeiro se faz presente, na capoeira é tirado um som malemolente que acompanha o berimbau e ritima os lutadores, que por influencia dos portugueses introduziram o instrumento na dança e no carnaval o passista carrega o pandeiro acompanhado de uma mulata que sempre samba sendo cortejada.
Cavaco
O Cavaquinho é um instrumento tão enraizado na cultura do samba que não é difícil de imaginar que esse instrumento nasceu e tenha sido criado aqui em terras brasileiras. Mas não é bem assim, nosso companheiro de rodas de samba, palcos e avenidas do samba possui sua história e foi inserido na cultura brasileira de maneira muito forte.
O nosso cavaquinho tem alguns outros nomes, braga, braguinha, machete, machetinho ou machete-de-braga.
Esse instrumento de acordo com Gonçalo Sampaio é proveniente de Braga, Portugal e também é utilizado em Cabo Verde, Moçambique e no Avaí existe um instrumento que se assemelha com o cavaquinho chamado de Ukelele.
Aqui no Brasil utilizamos nas congadas paulistas e em conjunto com o Bandolim, Flauta e violão compõem o choro.
O músico mais conhecido que tocava esse instrumento foi Waldir Azevedo que explorou como ninguém as potencialidades do instrumento e criou o clássico Brasileirinho. Roberto ‘Canhotinho’ Barbosa é o sucessor de Waldir Azevedo, aprimorou as suas técnicas e hoje é o arranjador do consagrado e mais antigo conjunto de samba os Demônios da Garoa.
Construído com vários tipos de madeira um para o tampo, para o braço, para a escala, para o bojo e que é fator determinante na qualidade no timbre do instrumento e também no seu preço final, ainda mais em tempos de sustentabilidade onde não se pode retirar da natureza de maneira irresponsável a matéria prima para a construção do cavaquinho.
Espalhadas em um braço dividido em 17 trastos o cavaquinho tem quatro cordas e uma série de afinações diferentes aqui algumas delas para quem se interessar em buscar outras maneiras de executar o instrumento.
Ré-Si-Sol-Ré tradicional do samba e pagode, Ré-Si-Sol-Sol, Mi-Dó#-Lá-Lá, Mi-Ré-Sol-Si ou mais raramente afinado em Mi-Si-Sol-Ré usado por pessoas que ja tocam violão e não querem aprender acordes novos.
Ta aí uma breve história sobre o nosso cavaquinho, ah! Eu fui introduzido no samba por conta de dois presentes que ganhei de uma tia-avó a dona Esméria que me presenteou com um Cavaco maciço de cedro Tranqüilo Giannini de número de série 400 e um pandeiro de choro Contemporânea todos muito antigos.
Guia Blog de Samba
O Surdo
O Surdo é um instrumento em forma de tambor grande e de som grave, bem grave. O material que se constrói o instrumento geralmente é Madeira – mais clássico – ou metal, só que pode ser encontrado peças em acrílico também e o Surdo leva pele nas duas extremidades. Difundido nos blocos carnavalescos e nas escolas de samba onde se concentram em média – escolas de samba – por volta de 30 Surdos.
O Surdo também faz parte da cultura do futebol, as torcidas levam seus Surdos que ditam o ritmo dos jogadores, é o coração pulsante das torcidas.
Já no samba tem a função de marcar o tempo. Bandas Marciais e militares também utilizam Surdos em suas bandas.
O Surdo também faz parte da tradicional bateria, sendo o som mais grave, chamado também de Tom-Tom ou Floor tom que fica apoiado sobre pés a direita do baterista.
Construção
Na sua forma cilíndrica feita geralmente de madeira ou metal as peles são dispostas nas extremidades, que podem ser feitas de couro natural de Cabra ou Boi e existem as versões sintéticas (polímeros plásticos).
As peles são fixadas com anéis de metal, alumínio ou aço galvanizado. A tensão das peles se dão por ação de tirantes de aço tencionadas por parafusos e porcas.
O diâmetro do instrumento vai de 40 cm até 75 cm. Os surdos de escola de samba tem a profundidade de 60 centímetros e já os usados no Samba-Reggae são mais rasos 50 cm de profundidade.
Tipos de Surdo
Existem 3 tipos de surdos nas escolas de samba o Primeiro Surdo ou Surdo de Marcação tem cerca de 75 cm de diâmetro, é o mais grave e é a referência de todos os outros ritmistas. No samba o surdo de primeira marca o tempo 2 no ritmo binário do samba.
O segundo surdo de mais ou menos 50 cm de diâmetro pode ser chamado também de surdo de resposta e fica responsável pelo tempo 1 do ritmo. E o Surdo de corte o Terceiro 40 cm de diâmetro tem características diferentes na execução, uma levada mais complicada e sincopada cortando as duas marcações anteriores. Esse é o coração da escola de samba.
O surdo é levado ao ombro do ritmista e é sustentado pelo Talabarte, com o instrumento posicionado na horizontal é utilizada uma baqueta forrada com materiais que variam e que recobrem a ponta do instrumento.
A mão esquerda do ritmista é também utilizada na execução do instrumento que ajuda na marcação do instrumento.
Da pele do surdo se pode tirar vários tipos de sons dependendo da região e inclinação da baqueta e podendo ser utilizado também o aro que da suporte ao couro do instrumento.
No samba-reggae são utilizados 3 surdos também, mas dois deles com papeis invertidos o de Primeira e Segunda e o surdo de terceira é executado com duas baquetas.

Dia do Samba

Posted by admin On novembro - 26 - 2009
dia do samba
dia do samba
Se perguntarmos aos gringos o que surge em suas mentes quando pensam na palavra “Brasil”, imediatamente eles responderão: “Carnaval, Ronaldinho, Caipirinha e… Samba”.
O Samba é um gênero musical rapidamente associado ao nosso país. A animação presente nas rodas retrata a alma do brasileiro. E o dia 02 de dezembro é marcado por ser o Dia Nacional do Samba.
Mas por que justo no dia 2 de dezembro? O motivo é curioso: Ary Barroso (foto), um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos compôs o samba Na Baixa do Sapateiro, que tinha uma letra que exaltava a Bahia, sem nunca ter visitado nenhuma cidade baiana.
Mas na primeira vez que ele pisou em Salvador, num dia 2 de dezembro, o vereador baiano Luís Monteiro da Costa aprovou uma lei que declarava que aquele dia seria o Dia Nacional do Samba, numa forma de homenagear o compositor. A partir desse acontecimento a data tornou-se um dia para se comemorar toda a riqueza do samba, um dos principais patrimônios culturais brasileiros.
Atualmente somente duas cidades costumam comemorar o Dia do Samba: Salvador e Rio de Janeiro. Em Salvador sempre tem grandes shows lá no Pelourinho, com artistas e cantores famosos e com os sambistas locais. Alguns como Nelson Rufino, Walter Queiroz, recebendo convidados como Paulinho da Viola, Elza Soares, Dona Ivone Lara. No Rio de Janeiro a festa fica por conta do animadíssimo Pagode do Trem. No Dia do Samba o pessoal se reúne lá na Central do Brasil, lota um trem inteirinho e vai tocando e cantando até o bairro de Oswaldo Cruz, onde lá formam-se várias rodas de Samba. Os vagões vão sempre lotados e em cada vagão vai um grupo que agita as rodas de Samba do Rio de Janeiro, incluindo grupos com sambistas famosos e locais. Alguns vagões levam os repórteres e outros da mídia que aparecem por lá para registrarem o fato. A Beth Carvalho costuma aparecer por lá para dar aquela força.